domingo, 6 de janeiro de 2008

soa como caos

E caiu nas trevas com um ardor que se lançava urgente e atormentado. Já não lhe cabia conceber idéia alguma que não fosse construída com escuridão e torpor. Se estático, era por não poder agir de maneira a refrear-se ou livrar-se do incômodo. Quisera escrever, contudo não havia meio de ordenar as palavras para que fossem compreensíveis. Ainda parado – ficaria assim por mais duas horas -, planejou um grande gesto que fosse capaz de redimi-lo derradeiramente, perante o mundo e para si mesmo. Por duas horas calculou todos os pormenores da ação, que envolveria uma criança, uma mulher desafortunada e uma soma considerável de dinheiro. Haveria de provar a todos a bondade da qual era capaz e como seu coração se compadecia, tratando por tornar inquestionável a piedade de seu caráter. Se fosse preciso, chegaria a se humilhar para provar suas intenções, desde que fosse perfeitamente remediável. Quando deu o plano por encerrado, se deixou descansar por um minuto, procurando deixar a mente livre, sem pensar em nada. Nessa ausência de pensamento, refreando a velocidade atordoante do cérebro, realizou que toda a sua negridão era sua somente, que a ninguém havia participado. Sendo assim, não haveria meios de se expiar em ato público, já que o público desconhecia sua vilania. Mais uma vez seu pensamento aquietou-se e uma sensação incontrolável de impotência o dominou. Sentou-se e ficou a olhar as próprias mãos, que seriam obrigadas a carregar o peso e a sujeira de suas memórias.

3 comentários:

Nathália. disse...

eu nao sei o que falar.


larga essa faculdade de publicidade e vai ser escritor, vai.


ANDA!

Anônimo disse...

"TUA PASSAGEM se fez por distâncias antigas."

SAUDADE DE VOCÊ...
Bjuus

Paola Giovana disse...

Olá, Mirous! Muito bom encontrar seu cantinho na net. Gostei bastante desse texto! ;)
bjos