sábado, 30 de junho de 2007

Se retorno, sou novo. Se renovo, sou diferente, ou perene.

Sem trinco.




E agora eu sou porta.

Tudo passa por mim, a vida que adentra casa afora para alegrar a cozinha

O tumulto que da rua alarda as crianças

O som de som que envolve o ar


Passa o homem de pé atrasado que me bate e eu não me importo

Desde que saia

O menino que volta e se esconde

E eu abro e fecho até ele aparecer


O vento que brinca cocégas

Eu finjo que deixo entrar mas não

E ele suspira do lado


Ruim é sair todos

E eu esperar abrir e receber

Que receber é melhor que ver partir


Sempre voltam

É em mim que chegam

Eu abro o caminho e o abraço

E escuto, sempre escuto


Agora sou porta e o mundo passa por mim.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Azul

Ela tem uma flor no cabelo. Sei, tantas tem, não? É um motivo bobo pra se gostar de alguém. Pra verdade, tem bom motivo pra gostar? Conheço uma enfermeira, ela cuida de gente velha morrendo. Domingo, de manhã, faz caminhada na lagoa. Não mora com a mãe, mas ainda compra as mesmas margaridas toda vez que vai lá. Apaixonável, sim, linda também. No entanto, ela não tem uma flor no cabelo. Detalhe banal, meu Deus. Flor, o que tem uma flor? E tinha que ser azul. Se fosse vermelha seria mais fácil não me apaixonar. Vermelha, latina demais. É azul, tão difícil de encontrar.


É simples a flor dela, é simples ela toda. Ela fica vermelha quando penteio o cabelo dela. É bonito de ver, principalmente de manhãzinha. Ela é mais branca e fica mais vermelha, e sempre com a flor no cabelo. Ela acorda logo vai ao vaso e arranca uma. Põe no cabelo e sorri. Sorri infinito e nem parece que a flor só dura um dia.


Tentei deixar duas vezes. O problema maior é as árvores, nessa época com tantas flores. De todas as cores, mas nunca azul. Azul só ela.

Então eu volto.

Então eu volto aos meios cinernéticos. O que, afinal, isso significa? Não, não parei de viver (explicaria essa parte mas levaria um tempo). O título do blog já diz o que pretendo: ficar 5 minutos por aqui e ver, observar e sentir. O que daí se dará, veremos.