Depois ele acendeu o cigarro.
- Eu odeio que você fume. Enche a casa desse cheiro maldito.
- Me deixa.
Ela foi andando até a cozinha, nua, procurar algo pra comer.
- Você não vai tomar um banho? Você sempre toma banho.
- Se você parasse de fumar e me fizesse companhia eu até tomaria.
- Só vou fumar esse.
- Por que você tem sempre que fumar?
- Por que eu sempre tenho que te chupar antes?
- Não sei. Por que você me ama?
Silêncio.
- Como você não é romântico!
- Deveria ser?
- Claro. Toda mulher gosta disso.
- Até você?
- O que quer dizer?
- Eu? Nada.
- Não, agora eu quero saber. Você acha que eu não sou como toda mulher.
- Exatamente o contrário: você é como toda mulher.
Ela já estava encostada na porta do quarto e o olhava, nu, na cama, com o cigarro entre os dedos da mão direita. Era um corpo como todos os outros, só que tinha mais pêlos que os anteriores.
- Você quer dizer que eu sou barata?
- Eu nunca diria isso.
- Mas insinuaria.
- Você me viu insinuar algo?
- Não se faça de bobo.
- Então terei que fingir ser outra pessoa.
Mostrou os dentes já um pouco amarelados e olhou para o lado.
- Seria bom. Talvez assim você fosse uma pessoa melhor.
- Eu já me acho bom o suficiente. O seu corpo também acha.
- Nunca mais fale de mim assim!
- Por que? O que você vai fazer?
- Não fale de mim assim nunca mais.
- Tá bom.
- Conversa comigo direito!
- Desde quando conversamos?
O olhar repreensivo dela apagou o cigarro dele. Fez-se um silêncio incômodo.
- E quanto ao banho? Já terminei meu cigarro.
- Nem tudo é no seu tempo.
- Não?
Ele se levantou e foi em direção a ela. Ela esquivou-se, saiu andando pela casa e ele atrás dela. Ela dizia pára, pára, e ele continuava. Conseguiu cercá-la na cozinha. A apertou, ela virou o rosto. Com uma mão, ele segurou o rosto dela e a beijou. Ela resistiu por mais um minuto. Meia hora depois ele fumava de toalha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário